Quando vou trabalhar, geralmente já lavei umas casas-de-banho, arrumei uma louça, estendi ou passei roupa, enfim. Ir para o trabalho não significa começar exatamente o dia de trabalho.
Na segunda, depois de me deitar tarde por causa das avaliações, arrumar umas quantas coisas de manhã, ainda cansada, despachar o miúdo que dormiu até mais tarde, lá vou eu numa azáfama para pôr o miúdo na escola e seguir para a minha.
A meio do caminho o meu filho pergunta:
-Mãe, os vidros?
-Os vidros? Os vidros estão aqui à frente no carro, não é?
Calou-se. Acho que respondi à pergunta, penso eu.
Saio do carro, as pessoas sorriem para mim, incluindo o porteiro que nos abre todos os dias a porta da escola. Saio da escola dele, os mesmos sorrisos. Penso qual será a razão para alguém andar bem disposto numa segunda-feira!!!!
Chego à escola. Encontro uma aluna com a avó (aluna e avó igualmente chatas). Tiro os óculos escuros e digo-lhe olá.
O que é que têm os teus óculos?
O quê?
Os teus óculos. Falta-lhes uma lente...
Olho estupefacta e faço uma espécie de rewind:
O meu filho estava a perguntar pelos vidros dos óculos. Quando se calou foi porque achou que eu estava louca e não valia a pena continuar a conversa.
Quando as pessoas passaram por mim não estavam bem dispostas, estavam a rir-se de mim.
E, no final, acho que o facto de ter conduzido 17 km com uns óculos escuros, sem uma das lentes, ter andado assim durante um tempo e não dar por isso será mais um contributo para o meu estado de loucura. Talvez com uma ou duas situações destas a junta médica me dê um atestado de insanidade e vá para a reforma....
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